Tuesday, July 20, 2004

As virtudes de ser arquitecto

Pela primeira vez na história da humanidade, os arquitectos utilizaram o vidro, o betão e o ferro em toda a sua glória. O estilo deixou de ser uma pele da arquitectura para passar a ser um conceito estrutural, a arquitectura libertava-se do espartilho das limitações materiais, a planta era livre.
Excerto de um post do blog a barriga de um arquitecto.
 
Os blogs mantidos por aquitectos em Portugal serão outra das nossas casuais ou repetidas incursões. Neste pode-se observar a posição-tipo. Imagem cuidada, pessoalizada, links para uma série de sites e publicações. Ou seja, cuidada forma e apresentação, atenção à criação de uma rede de credibilidades na matéria (links) ao que se unem alguns posts mais livres sobre algumas das grandes figuras da história da arquitectura permeadas com opiniões pessoais e relatos de experiências próprias. Estes coabitam, e bem, geralmente com assuntos mais privados, do gosto, ou da infância da pessoa que escreve ou ainda do foro da roda dos factos importantes do dia-a-dia, seja uma reacção a notícias, a mudanças na política, factos e paixões do desporto, etc.
Há-os também mais casuais, normalmente de estudantes, como os há igualmente mais dirigidos a criação de reputação, através de incursões teóricas mais fundadas e desmistificadoras baseadas e apoiadas nas virtudes das citações académicas. Geralmente de críticos da teoria contêmporanea, via publicações de Barcelona ou América  crítica e impulsionadora.
Estes factos criam nos leitores leigos à matéria uma espécie de credibilidade que os leva, aos blogueiros, a ganharem um certo tom representativo da classe e da profissão, efectivamente  com direito.
 
Quanto ao  excerto do texto demonstra precisamente esta visão desmitificadora. Se nos conseguirmos lembrar dos Romanos, das Catedrais Góticas, de Michelangelo, Brunelleschi, ou mesmo até das pirâmides do Egipto até faz mais sentido o que o Daniel nos narra. Ainda se a memória e a razão nos assistirem veremos estes argumentos transformados em concreta história fundadora da revolução ainda bem viva e ensinada nas escolas aos estudantes.
Quanto às cidades lá chegaremos... a história da humanidade não começou na idade média e na Europa. O quarto e quinto impérios já não dominam sofregamente ainda as mentes dos críticos. Haverá saida?  

AGENDA

Para criar uma certa ordem e abrir o diálogo (verdadeira razão da criação deste blog) sobre a arquitectura que nos rodeia, leigos habitantes, aqui se deixa uma lista de assuntos a elogiar, propomos nós, semanalmente (veremos se resulta ou se acertos naturais serão necessários, por favor, sintam-se na primazia de entrar em jogo se não forem arquitectos, nós próprios não o somos e só ganhariamos todos com participação diversa).
Propõe-se a quem por aqui passe ou tenha blog próprio interacção e laudo de acordo com o seguinte proposto enunciado:

ENSINO: As escolas de Arquitectura em Portugal
Os curriculos e métodos
Os Alunos (Poder-se-á para de aprender arquitectura?)
Os Professores (quem os condecora?)

PRÁTICA: O que significa ter um escritório?
O Cliente, guia para uma relação
O projecto de arquitectura (odisseia onírica versão tudo são flores e brilha o sol)
A Obra (odisseia onírica versão ainda brilha mais o sol e a lua sussurra baixinho versos de elogio)

CRÍTICA:
Quem são os críticos Portugueses?

Critica nos Jornais (grande circulação)
Revistas monotemáticas (média circulação)
Revistas académicas (pequena circulação)

Após este intróito que se espera frutuoso e não menos elogiativo o rumo será acertado de conforme com a resposta conseguida e agenda consequente a apresentar.
Sem mais, este vosso prezado

A posição gloriosa do arquitecto (herói)

Ora, ainda antes de enunciar os propósitos deste blog sobre arquitectura feito por legos na matéria, precisamente porque a arquitectura afecta bem mais e mais perenemente a vida pública do que política ou futebol, eis que um simpático arquitecto nos dá argumentos para a nova vindima.
A igreja de Canavezes em nada parece um quartel de bombeiros, como advoga o D. Duarte de Bragélia, ele próprio, em boa verdade é parece um furiel de bombeiros dos anos 20. O arquitecto desta obra, julgo que, Siza Vieira, apresenta na sua longa obra a típica elevação do Português, nomeadamente a encenação do Eco e a evocação de memórias.
É pena que aliada à reinvenção e incorporação do tempo que se vive não se vá pelo caminho seduzindo mais os estudantes nesta gloriosa senda, deixando no percurso o território condecorado com estes encómios.
o proto-rei Duarte não é absolutamente pateta, mas até os absolutos têm momentos de patetice.

A Arquitectura elogiada

Os arquitectos, os elogios, os edifícios e os rasgos. Tudo maravilhado, engraxado e aparelhado. olá!